Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
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Na Argentina, mulheres ganham menos que homens, feminicídio preocupa e marcha reúne multidão com lenços verdes em Buenos Aires.

País onde nasceu o protesto chamado Ni Una Menos (Nem uma a menos), contra a violência machista, e a marcha dos lenços verdes, pela legalização do aborto, a Argentina encara problemas e dramas parecidos com os de outros países subdesenvolvidos.

Publicada em 09/03/19 às 08:48h - 99 visualizações

por Clarín


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Mulheres fizeram lenços para homenagear vítimas da violência de gênero.  (Foto: ALEJANDRO PAGNI / AFP)

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres argentinas ganham, no geral, 25% menos do que os homens. Nove de cada dez mulheres respondem pelo trabalho doméstico, não remunerado.

Elas também demoram mais a conseguir emprego. A taxa de ocupação é de 44% no âmbito feminino e de 64% no masculino, segundo os dados publicados pelo Clarín nesta sexta-feira.

Mas neste dia oito de março (#8M), que levou à terceira paralisação internacional de mulheres e a manifestações em vários países, as argentinas reclamam também contra o machismo violento que já deixou dezenas de mulheres mortas.

No ano passado, foram 273 casos, segundo dados da ONG ‘Casa del Encuentro’ (Casa do Encontro) entregues ao Congresso argentino.

E uma vez mais, seus familiares e amigos já estão reunidos na Praça do Congresso e na Praça de Maio, em Buenos Aires, erguendo cartazes com as fotos das que foram vítimas de seus maridos, ex-maridos, ex-namorados. Em comum, pedem justiça.

São histórias de arrepiar e que poderiam ser do arco-da-velha, de tão primitivas. Mas continuam existindo.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC), são realizadas cerca de 110 denúncias de violência de gênero por dia. Na maioria dos casos, informou o organismo, as ameaças partem de quem está ou esteve por perto da mulher que faz a denúncia – marido e ex-marido.

No levantamento chamado ‘Registro Único de Casos de Violência contra as Mulheres’ (RUCVM) foram registradas quase 250 mil denúncias de mulheres vítimas de violência de gênero entre 2013 e 2018.

Nesta sexta-feira, as mulheres – e outros sexos que as apoiam – levaram lenços verdes e violetas para a praça em frente ao Congresso e para a Praça de Maio, que fica em frente à Presidência argentina. Os lenços verdes pedem que o aborto seja legalizado. Os violetas que a violência pare - como pediram mulheres em vários pontos do planeta. E eles estiveram presentes nas marchas realizadas em vários pontos da Argentina. 

Outros lembram o caso da menina de onze anos, violada pelo namorado de sua avó, e que acabou sendo submetida a uma questionada cesária, mesmo tendo a lei a seu favor para a interrupção da gravidez.

Também nesta sexta-feira, psicólogos, psiquiatras, educadores explicam nas TVs e rádios do país que o machismo deve começar a ser derrubado na educação em casa. Que não é simples. Mas que deve ser algo permanente e persistente.

A representante da ONU Mulher na Argentina, Florencia Raes, disse à emissora de televisão TN, de Buenos Aires, que a América Latina é a região onde é registrado o maior índice de feminicídios. Que a brecha salarial vem diminuindo, mas que a violência não.

Algumas mulheres estão hoje na primeira página dos jornais e portais argentinos. Tiveram o mérito de serem as primeiras profissionais em âmbitos considerados masculinos.

A primeira motorista de ambulância no sistema público de saúde; a primeira presidente de um clube de futebol da primeira divisão, o Banfield; as primeiras reitoras de escolas tradicionais da Argentina.

E neste dia oito de março, a Argentina regulamentou a lei que estabelece 50% das vagas no Congresso para mulheres. A medida já começará a valer na eleição primária de agosto deste ano, realizada antes da eleição presidencial de outubro. 

O lado positivo num enredo onde, além da persistência, da educação, da polícia, continua a esperança da igualdade e do fim da violência – fim que ainda parece utópico.

 Buenos Aires, 8 de março de 2019




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